terça-feira, 25 de novembro de 2014

Resenha do Filme - Patch Adams, O Amor é Contagioso


Acredito já ter assistido a este filme cerca de cinco outras vezes na vida, mas esta é a primeira vez que tenho de escrever sobre ele, e escrever para uma disciplina do 8° semestre de psicologia. Desta última vez em que assisti, pude perceber muitos detalhes impregnados da minha visão de estudante de psicologia, mas a principal diferença foi sobre a real influência do personagem que inspirou a realização deste filme. 

O filme Patch Adams – O amor é Contagioso, foi inspirado no livro "Gesundheit: Good Health Is A Laughing Matter" por Hunter Doherty Adams e Maureen Mylander, e estrelado pelo saudoso Robin Williams, no papel de Patch. O personagem inicia sua saga ao ser internado voluntariamente em um hospital psiquiátrico após uma tentativa de suicídio. No hospital ele se interessa por conhecer alguns internos, e acaba por desenvolver uma relação empática com eles, quando consegue "entrar em suas loucuras". A partir deste momento, Pach sente que pode tocar um outro ser humano, e tem um “insight” de que é isto que ele quer fazer de sua vida: ajudar as pessoas. Decide então entrar para a faculdade de medicina, mesmo não sendo mais tão jovem quanto a maioria dos estudantes do campus da Virginia Medical University

Logo na primeira aula, Patch sente-se inquieto com as palavras ditas pelo reitor sobre a necessidade de que os estudantes sejam desumanizados, para que possam tornar-se médicos. Patch não apenas incomoda-se com este discurso, como também com o fato de que só é permito aos estudantes a vivência com os pacientes a partir do terceiro ano de faculdade. Então, o personagem encontra jeitos e artimanhas para conviver com os pacientes do hospital universitário, onde pouco a pouco promove momentos de descontração e alegria junto à crianças, e pacientes terminais. 

Ao longo da história, o reitor da universidade, o mesmo que ministrou o discurso da aula inaugural, promove perseguições aos métodos e práticas de Patch dentro do hospital, colocando-o certa vez para organizar o ginásio para uma convenção de ginecologistas, e sendo então surpreendido pela irreverência de Patch, que decora a entrada do ginásio com pernas gigantes, abertas como em uma maca de um ginecologista. O reitor tenta efetuar uma primeira expulsão de Adams, mas ele apresenta ótimas notas e consegue consentimento para continuar. Contudo, recebe restrições severas para suas intervenções no hospital.


Inquieto com as relações médico/paciente, Patch motiva-se para a criação de um centro de cuidados médicos humanizado. Reúne seus colegas mais próximos, dentre eles sua amada, Carin (Monica Potter), e Truman (Daniel London), afim de reunirem pessoas que necessitem de cuidados humanizados, montando uma espécie de cooperativa de cuidados médicos e humanos. O instituto, que tem sua sede cedida por um rico paciente do hospital psiquiátrico no qual Patch esteve interno, cresce, e recebe diversos tipos de colaboração de pacientes e cuidadores.

Novas perseguições à concessão do direito de exercer a medicina para Patch Adams são realizadas, chegando a ser efetuada a expulsão da universidade. O caso é levado ao conselho de medicina, que deve deliberar sobre o direto de graduação de Patch. Este é um belo momento do filme, sobretudo em termos técnicos, para o objetivo desta resenha. No conselho, o personagem realiza um bonito discurso, onde estão presente diversos conceitos trabalhados no novo paradigma da saúde. No discurso, Adams diz: "O que há de errado com a morte? O que receamos de forma tão mortal? Porque não podemos tratar a morte com uma certa dose de humanidade, dignidade, decência; e talvez, até, humor? A morte não é o nosso inimigo, meus senhores. Se vamos lutar contra uma doença, lutemos contra uma das mais terríveis doenças de todas: a indiferença. A transferência é inevitável. todo ser humano causa impacto nos outros. Porque evitar a relação entre médico e pacientes? O que ensinam está errado. A missão do médico deve ser não apenas de evitar a morte, mas de melhorar a qualidade de vida. Quando se trata uma doença, pode-se ganhar ou perder; mas quando se trata uma pessoa, ganha-se sempre”.



Sobretudo, uma das principais mensagens passadas por essa história, baseada na verdadeira carreira do médico Hunter Doherty "Patch" Adams, é a quebra dos velhos paradigmas. A recusa de Patch em trabalhar seguindo unicamente o modelo biomédico de tratar A Doença, e não O Ser Humano, com certeza tem sido referência fundamental para as mudanças das últimas décadas. Grupos de voluntários que buscam desenvolver a alegria, a risada, e o entretenimento nos ambientes de tratamento à saúde, estão hoje espalhados por todo o mundo. Patch deixou sua marca, e apesar de ter dado seu depoimento em entrevistas, como à revista Veja, ao programa Roda Viva, dentre outros, alegando que o cinema preferiu retratá-lo apenas como um palhaço que faz graça, e que faltou alguma emoção no filme. O telespectador pode sentir através da interpretação deliciosa de Robin Williams, toda a saudável rebeldia deste médico-louco, que contribuiu para o trabalho de médicos, psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, fisioterapeutas, voluntários de todas as profissões, e principalmente para a cura pelo amor, carinho, e pela alegria àqueles que precisam. 

 


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